Eu nunca fui muito ligada no amor (eu acho...)
Eu ainda lembro a primeira vez que eu ouvi da minha mãe que ela me amava.
Ela estava em um daqueles dias de dar sermões e enquanto limpava o quarto, falou que toda a correria que ela fazia era porque ela nos amava. Sim, não foi uma declaração direta. Mas eu já senti o quanto tinha sido algo grandioso. E desde então, eu fiquei pensando sobre esse amor.
Esse sentimento que, dizem, é capaz de nos mudar.
Um sentimento que nos move, que nos incomoda, que nos estabiliza. Que é capaz de causar em nós tantas e tantas mudanças.
Esse sentimento que as pessoas têm muito a mania de achar que é sempre linear. E igual pra todo mundo. Mas não é. Tenho aprendido isso contigo.
Nos últimos meses, eu descobri que amor tem tamanhos e perspectivas diferentes pra cada pessoa.
Pra cada gênero.
Pra cada cor.
Como uma mulher negra, eu vejo como que eu nunca cogitei ser amada.
Eu me olho no espelho hoje, e penso muito nisso.
Eu nunca acreditei que seria amada. Nem um amor racional. Nem uma paixão desenfreada.
Nunca.
E ainda acho que não mereço muito esse sentimento. Tem vezes que eu duvido dele.
Porque é difícil. Porque são tantas coisas que me atravessam que eu não consigo pensar às vezes.
E muitas pessoas dirão "não pense, só vai”. Mas não é assim. Não pra mim.
Se eu não pensar, nem que seja um pouquinho, eu posso te ferir. E me ferir também.
E eu escrevendo isso já imagino tu me dizendo “é normal, Liz. Pessoas ferem pessoas”.
E eu sei disso. Mas é que também eu sei que pessoas feridas ferem também. E de uma maneira que pode não ser útil.
Eu odeio o fato de eu ser uma comunicadora que não comunica seus medos
Anseios,
Sentimentos. Não de uma maneira eficaz.
Mas ao mesmo tempo, eu sei que isso acontece por conta de tudo que eu falei anteriormente. O embate me assusta. Porque ter raiva de algo ou alguém sempre foi e é o esperado em mim. E eu não quis reforçar isso.
Mas a raiva também nos move. Nos movimenta. Nos faz sair dos trilhos. O que é bom também.
Por isso eu estou em um dia que eu quero muito melhorar nesse sentido. Muito mesmo.
Estar contigo é lidar com um sentimento e relação que eu não tenho noção de como vai estar na semana que vem. Porque é isso, somos pessoas.
Mutáveis. Humanas (por mais redundante que pareça ser, acho que é sempre bom frisar isso).
E como tais, vamos ter novas necessidades. Novos anseios. E talvez a gente não caiba mais. E isso não quer dizer que será preciso desistir. Mas se readaptar.
E é mais um processo. Um recomeço… e é sobre isso.
Não faz sentido esse bando de coisas que eu escrevi. Nem pra mim.
Mas eu sou assim, só pego e vou escrevendo porque é a maneira que eu tenho pra expressar algumas coisas que ainda me faltam aqui por dentro. Como a capacidade de me expressar algumas vezes.
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