quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Sobre amores e palavras guardadas na gaveta

Eu nunca fui muito ligada no amor (eu acho...)

Eu ainda lembro a primeira vez que eu ouvi da minha mãe que ela me amava. 

Ela estava em um daqueles dias de dar sermões e enquanto limpava o quarto, falou que toda a correria que ela fazia era porque ela nos amava. Sim, não foi uma declaração direta. Mas eu já senti o quanto tinha sido algo grandioso. E desde então, eu fiquei pensando sobre esse amor. 


Esse sentimento que, dizem, é capaz de nos mudar.


Um sentimento que nos move, que nos incomoda, que nos estabiliza. Que é capaz de causar em nós tantas e tantas mudanças. 


Esse sentimento que as pessoas têm muito a mania de achar que é sempre linear. E igual pra todo mundo. Mas não é. Tenho aprendido isso contigo. 


Nos últimos meses, eu descobri que amor tem tamanhos e perspectivas diferentes pra cada pessoa.

Pra cada gênero.

Pra cada cor.


Como uma mulher negra, eu vejo como que eu nunca cogitei ser amada.

Eu me olho no espelho hoje, e penso muito nisso.

Eu nunca acreditei que seria amada. Nem um amor racional. Nem uma paixão desenfreada. 

Nunca.


E ainda acho que não mereço muito esse sentimento. Tem vezes que eu duvido dele. 


Porque é difícil. Porque são tantas coisas que me atravessam que eu não consigo pensar às vezes. 

E muitas pessoas dirão "não pense, só vai”. Mas não é assim. Não pra mim. 

Se eu não pensar, nem que seja um pouquinho, eu posso te ferir. E me ferir também. 

E eu escrevendo isso já imagino tu me dizendo “é normal, Liz. Pessoas ferem pessoas”

E eu sei disso. Mas é que também eu sei que pessoas feridas ferem também. E de uma maneira que pode não ser útil. 


Eu odeio o fato de eu ser uma comunicadora que não comunica seus medos

Anseios,

Sentimentos. Não de uma maneira eficaz. 


Mas ao mesmo tempo, eu sei que isso acontece por conta de tudo que eu falei anteriormente. O embate me assusta. Porque ter raiva de algo ou alguém sempre foi e é o esperado em mim. E eu não quis reforçar isso. 


Mas a raiva também nos move. Nos movimenta. Nos faz sair dos trilhos. O que é bom também. 

Por isso eu estou em um dia que eu quero muito melhorar nesse sentido. Muito mesmo. 

Estar contigo é lidar com um sentimento e relação que eu não tenho noção de como vai estar na semana que vem. Porque é isso, somos pessoas. 


Mutáveis. Humanas (por mais redundante que pareça ser, acho que é sempre bom frisar isso). 

E como tais, vamos ter novas necessidades. Novos anseios. E talvez a gente não caiba mais. E isso não quer dizer que será preciso desistir. Mas se readaptar. 


E é mais um processo. Um recomeço… e é sobre isso. 

Não faz sentido esse bando de coisas que eu escrevi. Nem pra mim.

Mas eu sou assim, só pego e vou escrevendo porque é a maneira que eu tenho pra expressar algumas coisas que ainda me faltam aqui por dentro. Como a capacidade de me expressar algumas vezes.


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Qual o Poder da Palavra Não Dita?

Qual o poder de uma palavra não dita? 
Muito? 
Pouco?
Em tempos de pandemia e comunicação online, eu diria que o peso é enorme. 
Você não tem o olhar que hesita, a boca que contrai, os gestos exaltados dos braços. 
Você não tem o tom da pronúncia, o riso irônico, a palavraqueemendaumanaoutra.
Você só tem o que os dedos foram capazes de escrever o mais rápido possível. 
Ou o que a mente foi capaz de arquitetar horas depois, quando a mensagem chega. 
Notificações. Ah, as notificações. Eu não suporto elas. 
Mas em tempos de pandemia, algumas podem se tornar mais interessantes que as outras. 
O som indicando que o seu lanche já está sendo enviado. 
O e-mail constando a aprovação da compra efetuada. 
E as conversas atropeladas nos grupos de WhatsApp?
Elas passaram a ter um novo sentido.
Afinal, é o mais próximo de uma mesa de bar que temos atualmente. 
Sem falar a notificação que também poderia ser descrita como O Amor. 
Aquela mensagem de quem te faz ter sentido. 
De quem está sendo teu elo com o externo. Mas que mora dentro de ti. 
Qual o poder de uma palavra que não é dita? 
Muito? Pouco? 

Depende. 

Lizandra Vilela
22/05/2020

terça-feira, 22 de março de 2022

Quando eu SOR(RIO)...

 Tu me perguntas o que passa na minha cabeça quando te olho sorrindo. Ou rindo. Ainda estamos pensando sobre esse conceito por aqui.


Então, eu decidi escrever porque é um rio tão longo de coisas e emoções que eu nunca consigo responder essa tua pergunta na hora.


A primeira coisa que certamente passa pela a minha cabeça é o teu sorriso. Eu amo quando você sorri.


E também, a forma como tu me olha. 


Esse teu olhar que parece caber o mundo.


E as incontáveis respostas que tu tens pra "várias coisas".


Quando eu sorrio, eu também fico lembrando de como tem sido meus dias contigo. 


Mais iluminados.


Mais quentinhos.


Mais tão ❤...


Quando eu te olho e sorrio, passa pela minha cabeça um futuro que eu nem imaginei que poderia sonhar em ter. 


Passa a viagem que a gente quer fazer.


Os lugares que eu quero conhecer contigo. E os que tu queres me apresentar.


Passa a gente assistindo uma série qualquer de mãos dadas numa segunda-feira à noite.


Passa a gente tomando tequila numa sexta-feira à noite.


Passa o quanto eu amo a tua voz falando comigo. E com as pessoas que eu sei que são importantes pra ti.


Passa as nossas conversas sobre gerações. E o quanto eu fui uma criança que assistiu TV. E tu uma guria sapeca que desbravava o mundo desde cedo. E como isso hoje não mudou muito. Só que agora estamos tentando encontrar o nosso ritmo e equilíbrio juntas. 


Quando eu sorrio, eu penso o quanto eu estou amando te cuidar. E ser cuidada por ti. 


E que eu só quero que a gente siga tentando.


Quando eu sor (rio) sou eu sorrindo pra gente. 


22/03/2022

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Sobre caixas e pertencimentos

 Uma vida inteira sem conseguir se enquadrar nas caixinhas impostas. 

Uma vida inteira pensando o que havia de errado. 

Uma vida inteira tentando identificar como ser alguém melhor. 

Melhor pra ser mais aceitável. 


Melhor pra deixar de se sentir sozinha. 


Melhor pra parecer mais normal. 


Mas então eu aprendo que isso nunca vai acontecer. Porque eu não nasci pra caber nessas caixinhas. 


O meu espaço é outro. 


E vou dizer, me parece muito mais legal. 


Nele, não há regras que são estabelecidas de acordo com o aceitável. 


Nele, o meu coração pode sentir o que quiser. Por quem quiser. E tá tudo bem. 


Nesse espaço, eu posso rir quando sentir vontade. E chorar também. 


Sem que isso seja, de alguma forma, usado contra mim.


Porque aqui, a regra é sentir. 


É ser. 

É viver. 


Por que? [Devaneios de um abril publicado em agosto]

 Por que você não quer entrar em meus planos? 

Eles te parecem tão... ruins assim? 

Por que quando eu traço rotas contigo, tu me responde com pedras que, 

diferente da história de João e Maria, não estão ali para guiar. Mas sim, desviar. 

Eu não consegui ainda entender os motivos da minha mente insistir nisso. 

Será algo de outra vida? 

Será apenas um costume? 

Ou... será? 

Por que você não quer entrar em meus planos? 

Por que não que quer participar de minhas rotas? 

Eu ainda sinto que vou me perder sem você aqui. Comigo. 

Por que você não quer entrar em meus planos? Por quê?


[Escrito em 16/08/2021]

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Fique

 Desde muito cedo, eu me vejo rodeada de muitas objeções. 

Não pode. 

Não seja assim. 

Não use esse tom.

Quem és tu pra falar, agir, pensar dessa maneira? 

E isso me fez viver em uma incessante luta. 

Por espaço.

Aconchego. 

Pertencimento. 

Então, é por isso que toda vez que você não me oferece afetividade, eu desestabilizo.

Porque você é a ponte que liga passado e futuro.

Me sentir sozinha perto de você, é voltar ao passado.

Quando eu tive que lutar por espaços.

Por favor, serei eu tão ruim assim? 

Aleatória assim? 

Sem sentido assim? 

Please, me ajuda acreditar que não?

Senão eu vou me afastar. 

Eu vou me isolar. 

Eu vou me perder.


Escrito em 06/01/2021]



sábado, 12 de setembro de 2020

Pensamentos descompassado da madrugada

 


Querer você é um vício.

                        Desatino.

                          Solidão. 

Toda vez que você se refere a mim de maneira menos eloquente , meu coração falha uma batida

Deve ser porque ele acostumou com o tic-tac guiado pelo sonho de pensar na gente junto. Em tudo. Pra sempre.

Toda vez que você me lembra, mesmo sem saber, que o pra sempre não existe pra nós, o meu cérebro trava. Fecha portas. Reinventa um novo jeito de lidar.

Com essa vontade. 

Essa saudade.

Esse querer.

Toda vez que você…

[Ops. Cérebro travou].


:(


Lizandra Vilela


[Escrito em 12/09/2020]