Qual o poder de uma palavra não dita?
Muito?
Pouco?
Em tempos de pandemia e comunicação online, eu diria que o peso é enorme.
Você não tem o olhar que hesita, a boca que contrai, os gestos exaltados dos braços.
Você não tem o tom da pronúncia, o riso irônico, a palavraqueemendaumanaoutra.
Você só tem o que os dedos foram capazes de escrever o mais rápido possível.
Ou o que a mente foi capaz de arquitetar horas depois, quando a mensagem chega.
Notificações. Ah, as notificações. Eu não suporto elas.
Mas em tempos de pandemia, algumas podem se tornar mais interessantes que as outras.
O som indicando que o seu lanche já está sendo enviado.
O e-mail constando a aprovação da compra efetuada.
E as conversas atropeladas nos grupos de WhatsApp?
Elas passaram a ter um novo sentido.
Afinal, é o mais próximo de uma mesa de bar que temos atualmente.
Sem falar a notificação que também poderia ser descrita como O Amor.
Aquela mensagem de quem te faz ter sentido.
De quem está sendo teu elo com o externo. Mas que mora dentro de ti.
Qual o poder de uma palavra que não é dita?
Muito? Pouco?
Depende.
Lizandra Vilela
22/05/2020