sábado, 12 de setembro de 2020

Pensamentos descompassado da madrugada

 


Querer você é um vício.

                        Desatino.

                          Solidão. 

Toda vez que você se refere a mim de maneira menos eloquente , meu coração falha uma batida

Deve ser porque ele acostumou com o tic-tac guiado pelo sonho de pensar na gente junto. Em tudo. Pra sempre.

Toda vez que você me lembra, mesmo sem saber, que o pra sempre não existe pra nós, o meu cérebro trava. Fecha portas. Reinventa um novo jeito de lidar.

Com essa vontade. 

Essa saudade.

Esse querer.

Toda vez que você…

[Ops. Cérebro travou].


:(


Lizandra Vilela


[Escrito em 12/09/2020]


sábado, 18 de julho de 2020

Sobre Despedidas [Devaneios de uma Quarentener]

O que caracteriza uma despedida?
Quando a gente é mais novo, ela sempre acontece da maneira mais simples que existe.
Em algum momento você vai se mudar, ir pra outra escola, viajar para outra cidade... e então, essa despedida acontece.
A sua mente entende que se você não irá mais ver aquelas pessoas, elas deixam de fazer parte da tua vida.
Mas então, quando você cresce, acaba percebendo que não é bem assim.
Nem sempre se despedir de alguém, significa estar longe.
Às vezes é porque o seu coração não quer mais reservar aquele espaço dentro de ti.
Porque os teus olhos percebem que não iluminam mais como antes.
Que a outra existência, parece não mais precisar de você.
Então, a tão exigida maturidade acaba fazendo com que você saiba a hora de se recolher.
Mas é claro. Toda despedida tem uma porta fechada. E portas, podem ser abertas.
Mas também é claro, que empurra-lá, tentando abrir a todo custo, não é a melhor solução.
É preciso jeito.
É preciso querer acessar o segredo.
Mesmo se a chave ter sido colocada fora.
Você quem deve ser o chaveiro que fará uma nova cópia.
E talvez, mesmo mantendo a mesma porta, a fechadura antiga tenha que ser mudada.
Para dar espaço a uma nova.
Que seja capaz de abrir novamente aquele espaço no coração.
De ser um caminho para aquela luz que não mais existia.
Para dar uma nova abertura para aquela existência.
O que caracteriza uma despedida [...]

Lizandra Vilela

terça-feira, 9 de junho de 2020

Meu-Eu-Raiz

Onde você se esconde, meu eu raiz?
Será que nas páginas de um livro perdido na estante?
Dentro do guarda-roupa, naquela peça dobrada há mais de 7 anos?
Nas palavras que não são ditas?
Nos sentimentos que não são vividos?
Nas palavras riscadas em meu caderno de anotações?

Onde você se esconde, meu eu raiz?
Dentro dessas palavras escritas aqui?
Esmagada pelas expectativas do mundo moderno?
Ou então escondidinha em um canto com os olhos fechados, já que não gostamos do escuro?

Onde você se esconde, meu eu raiz?
E se eu te der a mão, será que você vem?
Ou irá preferir continuar mais um pouco aí onde está?
Mesmo com o escuro
Mesmo tendo que ficar com os olhos fechados
Mesmo sem lápis e papel na mão.
Será que você vem?
E se vier, será que vai saber ficar?
Será que eu consigo cuidar de você?


Onde você se esconde, meu eu raiz?
Me diga, por favor!
Não vai ser fácil
Talvez a gente tenha que equiparar algumas arestas
Mas vai dar certo. Eu sei que vai.
Eu só preciso que você acredite em mim.


@Lizandrastar

Sobre amores e expectativas

Sobre amores e expectativas
Qual dos dois vem primeiro?
Será que depende da fase?


@Lizandrastar

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Sobre Plenitude e Palavras Soltas de uma Quarentena

Será que uma pessoa apenas é capaz de ser o mundo de alguém?
Será que Deus permite que a plenitude aconteça de maneira tão arbitrária ao permitir que ela ocorra apenas com um único sorriso correspondido. Um único silêncio compartilhado. Um único abraço apertado?
Eu diria que sim.
Deus é um senhor com um humor bem peculiar. Está aí 2020 pra comprovar.
Quem sou eu pra duvidar?
Porém, automaticamente eu lembro que o livre arbítrio existe. Ao menos, é o que dizem.
E há quem diga que é a prova de que Deus nos ama ainda mais.
Porque Ele não impõe nada. Apenas ilumina os caminhos.
Somos nós que teremos que escolher qual seguir.
Seja fazendo unidunitê.
Seja pensando durante anos.
Seja seguindo a manada.
Ele não tem muita pressa. Apenas precisamos estar cientes que o tempo está passando.
E com ele, talvez surgindo alguns impedimentos por cada caminho que temos para seguir.
Porque o mundo continua em movimento. Ele não para.
E por mais que a gente queira que isso aconteça até fazermos a nossa escolha, isso não vai acontecer.
Mas também, qual seria a graça?
Hoje é segunda-feira e eu me pego pensando em quais caminhos eu vou seguir.
Onde está minha plenitude?
A plenitude existe?
Quanto tempo ainda posso dedicar pra cada escolha?
Respostas e respostas... elas não surgirão em uma notificação do celular.
Nem em um tweet aleatório.
Elas estão aqui dentro. E são parte do meu processo.
Basta eu resolver. Ou me escutar.


@Lizandrastar

quarta-feira, 25 de março de 2020

Sobre reencontros e Covid-19

Qual o peso de uma folha em branco?
Para mim, é enorme.
Assim como estar aqui, admitindo isso abertamente.
Faz muitos anos que eu não consigo preencher uma folha em branco da maneira mais genuína que eu consigo. Com sentimento.
Faz muito tempo que uma folha em branco tem sido pra mim o mesmo carma que seria para um pintor e sua tela em branco.
Ele adquiriu essa tela. Sabe que é capaz de transmitir algo pra ela, mas não consegue.
Porque não parece fazer sentido no momento.
Porque o seu eu está em conflito interno e não seria capaz de se manifestar.
Porque a confusão dentro de si é tão grande que não está sendo possível escolher qual pincel, cor, traço utilizar.
Porém, o que é sempre muito importante, e eu me igualo a esse pintor imaginário, é a certeza de ser capaz de preencher esse espaço.
Eu posso relutar, protelar e me recusar. Mas eu sei que sou capaz de preencher esse espaço.
Porque é assim que eu me significo.
É assim que eu me encontro.
Falta apenas reencontrar esse caminho.
Será que ele está surgindo junto com a chegada do Covid-19 no Brasil?
Vamos aguardar os próximos capítulos.


@Lizandrastar