Não havia outro jeito, era para ser assim.
Eles se conheceriam e logo encontrariam afinidades.
Conversariam por horas, trocariam palavras de carinho, compartilhariam sonhos futuros.
Como quem toma para si algo de alguém, ambos reservariam ao outro um lugar especial em seus corações.
Por vezes, a distância seria presente, e o tempo modificaria as coisas.
Porém, sempre saberiam, o outro existia e estaria ali para ajudar.
Então o tempo, senhor de tudo, foi passando, e as coisas mudando.
Parecia que as palavras já não faziam mais sentido, e os sorrisos não mais eram frequentes.
Se os sonhos de ambos antes andavam do mesmo lado da Avenida, hoje pareciam que disputavam e duelavam este espaço.
E o lugarzinho, aquele do coração, estava cada vez menos habitado...
Então em um dia, num acordo que só os anjos poderiam explicar, eles se afastaram.
Seus olhares não mais se cruzaram, não compartilharam sorrisos e sons.
Suas mãos, ao se tocarem, não provocavam a segurança de antes.
E assim, se distanciaram.
Como quem mora no interior e decide morar na cidade, ambos arrumaram o lugarzinho que tinham dado um ao outro.
Apagaram as luzes com um último olhar, fecharam a porta e guardaram a chave no bolso.
Sabiam que quando necessário, ele estaria lá para abrigá-los.
Porém, não mais como moradia.
Porque esse espaço passou a ser um não lugar.
Onde as lembranças, por vezes, seriam iluminadas pelo reflexo do sol entre as janelas.
Mas não mais seria o lugar onde o sentimento encontraria seu equilíbrio.
Onde a história encontraria seu sentido
e ambos teriam como certeza o sentimento que sempre lhes uniu.
Assim, a despedida se fez.
Lizandra Vilela Star*
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